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Publicado por Aula Lucis Central · 1 Agosto 2021
Tudo quanto qualquer Ordem Iniciática na sua parte externa possuir, de símbolos, cerimônias ou rituais, é apenas a letra, a qual exprime fisicamente o Espírito de Verdade que reside no Santuário Interno. Pelas fraquezas humanas, pelas profanações do Santuário, pelas debilidades, sempre dispostas a trocarem o espírito pela letra, fez-se necessário materializar verdades internas em Cerimônias e Símbolos externos para encobrir o verdadeiro e oculto Sacramento.

Desta forma as Verdades Internas foram levadas para todos os povos adaptadas no seu simbolismo, nos seus costumes, sua capacidade de instrução e à sua susceptibilidade. Assim, os símbolos externos de toda religião, de todo culto, de todas as cerimônias e livros sagrados em geral, têm as Verdades Internas como objeto de ensino. Por esse ensino o homem é levado ao conhecimento universal da Única Verdade Absoluta.

Quanto mais o Culto externo de um povo permanecer ligado com o espírito esotérico da Verdade, tanto mais puro será esse Culto, porém, se grande é a diferença entre a letra simbólica e a Verdade invisível, muito impuro tornar-se-á esse Culto. Pode ocorrer, ainda, o caso de a forma externa ter-se afastado completamente da Verdade Interna, de modo que só afluirão práticas sem qualquer significado e sem vida.

O símbolo é a alma da vida de uma Ordem Iniciática. Por isso, instrutores da humanidade enviam, segundo os tempos e as condições, os seus hieróglifos simbólicos, para que o homem possa penetrar no Santuário da Grande Verdade, da Sabedoria. Daí porque se analisa, nesta oportunidade, um dos mais antigos e notáveis símbolos.

O nome ABRAXAS, usado na escola gnóstica egípcia fundada por Basilides, de Alexandria, é uma palavra místico-simbólica; consiste em sete letras que significam os Sete poderes criadores do Universo ou anjos planetários reconhecidos desde a mais remota antiguidade.

Alguns estudiosos abraçam a teoria que sustenta ser o vocábulo Abraxas composto de duas antigas palavras: ABIR que significa touro, e AXIS que significa o polo. Para comprovar tal suposição eles mencionam o fato de ocorrer um dos movimentos da terra, comumente chamado alteração dos polos, no equinócio da primavera, concomitantemente a Tauros, o touro celeste, sobre o polo norte.  Os quatro cavalos que puxam a carreta de Abraxas simbolizam os quatro éteres, por influência dos quais circula em todas as partes do universo. O Abraxas, de sete letras, significa simbolicamente o poder conjunto dos sete céus.

O filósofo Basilides [Séc.II d.C.], um dos alicerces do Gnosticismo, transmitiu o hermetismo egípcio, o ocultismo oriental, a astrologia Caldéia e a filosofia persa aos seus partidários, e, em suas doutrinas, parece que tentou unir as escolas do cristianismo primitivo aos antigos mistérios, denominados pagãos. A ele atribui-se a fórmula do singular conceito da divindade, que tem o nome de Abraxas.

Analisando a significação original da palavra Abraxas, Godfrey Higgins, na obra “Druidas Célticos”, demonstrou que os poderes numéricos das letras que formam tal palavra, quando somados, dão 365 [Ano Solar]. Esse mesmo autor nota ainda que o nome MITHRAS, sujeito à mesma operação, tem o mesmo valor numérico.

Basilides ensinou que os poderes do Universo foram divididos em 365 ÉONS [O período de um ÉON corresponde a um bilhão de anos], ou ciclos espirituais, e que a soma de todos eles juntos era o Supremo Pai; deu-lhe o nome cabalístico de Abraxas como símbolo numérico dos seus poderes, atributos e emanações divinas. A figura de Abraxas é simbolicamente representada por uma criatura composta de um ser humano, tendo cabeça de galo e cada perna representada por uma serpente. C.W. King, em seu livro “Os Gnósticos”, transcreve a síntese da filosofia de Basilides, contida nos escritos do antigo Bispo e mártir cristão Santo Irineu:

“Ele afirmava que Deus, o incriado e eterno Pai, produziu o Nous ou Mente; este ao Logos; este a Phronesis, a inteligência; de Phronesis, saiu Sophia, a Sabedoria, e Dynamis, a Força”.

Ao descrever Abraxas, C.W.King considera a imagem – composta – designada com nome tão significativo, um panteon gnóstico, representativo do Ser Supremo com as cinco emanações  assinaladas por símbolos apropriados. Do corpo humano, forma usual atribuída à divindade, saem os dois suportes, Nous e Logos, expressos por serpentes, símbolos dos sentidos internos e de compreensão rápida; por isso os gregos haviam feito da Serpente o atributo de Palas [ou Minerva, que era dotada de inteligência e sabedoria]. Sua cabeça de galo, representa Phronesis, por ser essa ave o emblema da antevisão e da vigilância. Seus dois braços sustentam os símbolos de Sophia e Dynamis: o escudo da Sabedoria e o azorrague do poder.


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